segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sonhos Florais

Esse poema me encantou da mesma forma que a autora dele, há anos atrás quando nos conhecemos!
Parabéns Eliane pelo poema, singelo e maravilhosamente escrito! A imagem é minha, espero que goste.
Não é permitida a reprodução desse poema por qualquer meio sem a  autorização da autora Eliane Duarte

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dois Pesos e Uma Medida

Perfeito, luminoso, paraíso imenso,
Como balança pesando a um só lado,
Que Deus vendo incompleto seu intento,
Moveu-se alterando seu inerte estado;


A solução gerou o caos harmonioso,
E de um lado de Deus o soturno emergiu,
E com ele o obscuro vácuo tenebroso,
Contrapesando a constância o mutável surgiu;


E agora eis o homem mirando-se no espelho,
Em busca de si, buscando explicações,
Por caminhos loucos e procuras vãs;


Face a face consigo, de si para si,
O homem teme atingir o imutável,
Mas a que interessa saber-se alterável?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Feliz Ano Novo a todos nós, paz, saúde, sucesso, mas antes de mais nada precisamos de despreendimento, afinal num piscar de olhos a vida muda, o tempo passa, envelhecemos e partimos. Que partamos tendo vivido o presente, como se cada dia fosse o último e então enternizaremos o momento.

Nascer

Vi um mar de sangue e morte;
Vi caos e descontentamento;
Vi portas de dor e sofrimento;
E me vi largada a própria sorte.

Era dor lacerante, dor profunda;
O reflexo da alma esquartejada;
O reflexo da vida lacerada;
Era pura matéria flácida e imunda.

Era o início de todos os tormentos;
Era a vida em fim a se mostrar;
Tão crua quanto possa estar;
Para gerar tal desalentamento.

E respirei em fim, vivi,
Era apenas água e sangue, o mundo;
Um respirar de dor profundo;
A vida, um colo, então nasci!


Monica Gomes Teixeira Campello de Souza

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Parabéns à corregedora Eliana Calmon pela sua coragem e clareza! Todos os brasileiros precisam apoiar essa mulher corajosa que enfrenta agora em razão de sua brabura e lisura a ira de juízes e desembargadores que se consideram "intocáveis". O judiciário não pode utilizar a Constituição Federal para encobrir e/ou esconder informações que todo funcionário público é obrigado a prestar. "Todos são iguais perante a lei" menos o judiciário? Como é possível um profissional ganhar mensalmente determinada quantia e seu patrimônio estar em muito divergindo do que poderia possuir? Se o Judiciário não der o exemplo em primeiro lugar estaremos vivendo a ditadura do judiciário e então que Deus nos proteja!
Por Monica Gomes Texeira Campello de Souza

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ancestrais

Observo com melancolia as lápides amareladas do cemitério onde repousam os corpos de meus ancestrais... Foram eles bons ous maus (ou bons e maus), certamente estarão velando pelos seus descendentes (quem sabe). Os seus corpos jazem imóveis, corroídos. Os seus ossos um dia se dissolverão e nada restará deles exceto nossas lembranças. Essas não se apagarão e, mais que isso, propagar-se-ão para os nossos filhos e netos e bisnetos, porém, um dia, seus rostos e nomes serão completamente esquecidos. Eles serão apenas nossos ancestrais, não importa o que ou quem tenham sido. Se foram bons, serão citadas suas bondades, se foram maus, serão citadas suas maldades, mas sempre como um exemplo para o aprendizado de seus descendentes. Se para nada servir esta vida, se nosso ideal de Deus não passar de um mero engano, ainda assim valerá a pena saber que, apesar do que quer que tenhamos sido, haverá sempre alguém que, mesmo que nunca nos tenha visto ou conhecido, carregará nossa bagagem consigo por pura força da ancestralidade.

Monica Gomes Teixeira Campello de Souza

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Escolhas
As lágrimas sinceras da saudade e da dor,
as escolhas acomodadas no sofá e na casa vazia,
a companhia da solidão nos dias de incerteza,
os resultados das escolhas que fizemos um dia.

Que somos nós senão um amontoado de incertezas?
Se assim somos que sentido há no medo do porvir,
o que o acaso pode nos trazer senão ensinamentos?
Ensinamentos que nos recusamos a ouvir.

O que há no encontro com o passado
é a lição do que poderia ter sido,
quando nos vemos, porém infelizes,
fugimos do que pode ainda ser vivido.

Quem dera a vida tivesse permitido outro caminho.
Quem dera pudesse refazer os passos em outra direção.
Quem dera pudesse compreender que agora.
nada mais resta senão  nossa opção.

Por Monica Gomes Teixeira Campello de Souza
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Stella Mundi

 

            Uma pequena estrela entediada com as maravilhas do firmamento decidiu descer a Terra. Ela veio como uma bela criança do sexo feminino e denominaram-na Stella. Nos seus primeiros dias de vida já sabia exatamente que viera para observar, aprender, e retornar ao firmamento, mas não conseguia, obviamente em virtude da idade, comunicar-se. Balbuciava sons ininteligíveis e, desse modo, repetia para si mesma os seus objetivos.
            Stella aprendeu a andar e falar. Seus pais empenharam-se ao máximo para ensinar-lhe e proteger-lhe, contudo, eram muito pobres e, no processo de aprendizagem e sobrevivência, ela se esqueceu de repetir para si mesma o motivo pelo qual viera e para onde voltaria. Cada vez mais os objetivos se perdiam e ela os apagou da mente
            É preciso dizer que, aos doze anos de idade, ela passou a prostituir-se. Sua mãe já não podia trabalhar e seus irmãos há muito haviam se perdido pela vida irremediavelmente.
            Aos quatorze anos, ela adoeceu. Os médicos após os exames  finalmente, declararam tratar-se de AIDS. Stella passou a sentir-se tão triste que as forças lhe faltaram até para alimentar-se. Sua mãe faleceu dias depois de saber sobre a doença da filha, deixando-lhe uma casinha de Taipa na favela da Roda de Fogo e muitas recordações.
            Numa de suas idas ao médico, ela ouviu um doente comentar que o que o estava ajudando a superar os obstáculos e as agruras da doença era a leitura. Stella, nesse momento, deu-se conta de que não sabia ler. Essa descoberta serviu para aumentar-lhe o pesar e, em meio a tão turbulenta existência, decidiu que aprenderia a ler nem que fosse essa a última coisa que faria na vida.
            E assim foi. Meses se passaram e Stella dedicara-se de corpo e alma ao aprendizado, contudo, a pobreza, mais que a própria doença, minara-lhe as forças. Já acamada, pálida, dolorida e só, começou a definhar.
            Uma vizinha que, por piedade, passava na casa todas as noites para vê-la foi quem, a seu pedido, saiu de casa em casa a procura de qualquer livro ou revista para realizar o estranho desejo de uma moribunda. Um garoto entregou-lhe uma folha de papel com um conto que trouxera da escola. A mulher correu e entregou-o a Stella.
            Conta-se nas redondezas da favela que uma jovem prostituta de 15 anos de idade falecera. Seu último desejo fora o de ler qualquer frase, palavra ou texto que lhe pudessem conseguir. Deram-lhe um conto cuja personagem central era uma estrela que, entediada, com as maravilhas do firmamento, decidiu vir à Terra, sendo denominada Stella. Curioso foi que a jovem moribunda, após a leitura, sorrira com uma alegria indescritível, e de seu cadáver um perfume de flores e um brilho imenso desprenderam-se indo em direção ao infinito, e do seu corpo até hoje não existem vestígios.
Monica Gomes Teixeira Campello de Souza
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